quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Geraldo demonstra: A Formação da Imagem!

Caros alunos, em nossa primeira aula fizemos diversas experiências e demonstrações. Uma das mais interessantes foi projetar a imagem da vela com auxílio da lente convergente. Como vimos, o que impede a formação da imagem em um anteparo é a "desorganização" dos raios luminosos emanando da vela e atingindo o anteparo.
A lente convergente organiza esses raios fazendo com que os raios que emanam de um dado ponto da vela (ou de qualquer fonte de luz emissora ou reflexiva) convirjam para somente um ponto no anteparo.


Observem a foto que fiz do Geraldo, durante nossa experiência.


A imagem da vela se forma a partir do desvio, pela lente, dos raios luminosos segundo o princípio da refração.




As setas em roxo indicam os raios luminosos que partem da vela em todas as direções.



As setas em vermelho indicam os raios que partem do topo da chama e atingem a lente. Como a superfície da lente é abaulada (convexa) os raios passam por ela em ângulos diferentes e portanto sofrem refrações (desvios) diferentes. Os de cima são desviados para baixo, os de baixo para cima e os do centro (que não estão desenhados nesta foto) são desviados para cima quando entram na lente e para baixo quando saem dela, resultando em uma trajetória retilínea.




As setas amarelas mostram o mesmo fenômeno, agora na outra extremidade da vela/imagem.




As setas azuis indicam as trajetórias dos raios que partem do centro da vela. Observem que os raios que passam pelo centro da lente não sofrem desvio algum. Eles incidem na superfície de vidro com um ângulo de 90 graus e, portanto, não sofrem refração.




Agora temos os três conjuntos de raios formando a imagem. Lembrem-se de que isto é apenas um esquema. Na realidade existem infinitos conjuntos de raios de uma extremidade à outra da vela/imagem, todos seguindo os mesmos princípios.




As setas verdes indicam os raios que partem do centro da chama e tangenciam (raspam) as bordas da lente. Eles formam o limite da zona entre luz e "sombra". A "sombra" é formada pela ausência dos raios que foram convergidos pela lente para formar a imagem da chama. Legal não?!




Por fim este esquema mostra todos os raios simultaneamente, que é o que acontece no mundo
real.



Quinhentos Anos de Evolução

Nas imagens a seguir eu desenhei três modelos de câmaras sobre as fotos originais.
A geometria está correta e os princípios de óptica também. Estas poderiam, de fato, ser câmeras de verdade. Examinem bem as imagens e vejam como as câmeras fotográficas operam sempre sob os mesmos princípios fundamentais. Assim fica bem mais simples de entender!


Uma Câmera Obscura do século XVI


Uma Câmera para Daguerreótipos do século XIX


Uma Câmera Moderna, digital ou não,
equipada com uma teleobjetiva (que nós ainda vamos estudar)



6 comentários:

Gush Lion disse...

Muito interessante esse curso, e tudo que temos aprendido nele. Fico feliz por poder compartilhar com todos esse momento tão agradável pelos caminhos da fotografia. Tenho uma observação para fazer sobre a aula de segunda-feira a noite:

Aquelas máquinas antigas que aparecem em filmes e seriados, que "explodem" alguma coisa quando disparadas, e que o fotografo fica com a cabeça dentro de um pano preto, são de que época, e que negativos são usados nela?

Adoro o curso. Parabéns para todos!

Helio Rocha disse...

Fernando: Essa demonstração ficou muito legal! O desenho dos diversos tipos de cameras "fotografando" a vela ficou excelente! E o Geraldo passou para a fase de modelo com experiência anterior...Parabéns pela objetividade e clareza!

Unknown disse...

Querido Fernando,

Estou adorando o curso. Sua didática é cativante, prende nossa atenção e desperta o interesse. Parabéns pelo empenho e dedicação.

Fernando R. disse...

Caro Marvin,
que bom que você está apreciando o nosso curso!
As "máquinas antigas" as quais você se refere existem até hoje. São as máquinas de grande formato, similares às câmaras obscuras que estudamos e que você construiu. Como você se lembra, a imagem aparece em um vidro despolido atrás da câmera. Este vidro serve como placa de focalização. Mas acontece que é muito difícil enxergar a imagem relativamente tênue da câmera na luz do dia, daí o uso do pano preto. Imagine você usando sua câmara obscura de papel. Lá na universidade nós ficamos do lado de dentro olhando para fora. Isso teve o propósito de facilitar a visualização da imagem, aproveitando a sombra do corredor. Se tivéssemos ido para a rua, talvez fosse necessário um pano preto sobre nossas cabeças para podermos ver as imagens. Assim sempre que utilizamos câmeras de grande formato, com placa de enfoque, em dia claro, usamos o pano preto. Eu mesmo quando era pequeno, lembro dessas câmeras sendo usadas na rodoviária de Brasília pelos fotógrafos "lambe-lambe" (pesquise a razão deste nome e nos explique depois. Quanto ao "pó explosivo", ele é conhecido como "Flash Powder". Normalmente uma mistura de alumínio ou magnésio em pó e outros elementos. Os metais, quando pulverizados, podem queimar a altíssimas temperaturas e produzirem luzes muito brilhantes. Os foguetes auxiliares, aqueles que ficam ao lado do Ônibus Espacial, são preenchidos com um combustível a base de pó de alumínio. As antigas lâmpadas de flash, que aparecem nos filmes com jornalistas, utilizavam tiras longas e finas de magnésio e eram cheias de oxigênio. Quando queimavam produziam o clarão necessário para sensibilizar os filmes da época. Legal não?

Fernando R. disse...

Caríssimos Ivone e Hélio,
muito obrigado pelos elogios e pelo incentivo. Ensinar o pouco que sei é para mim um prazer, uma honra e uma grande responsabilidade.
Obrigado por confiarem seu tempo e sua atenção ao nosso curso!
Abraço,
Fernando

PS:estou postando estes comentários sem uma grande preocupação com deslizes ortográfico-gramaticais. Por favor relevem pequenos erros de concordância, pontuação etc.

Gush Lion disse...

Olá Professor, meus acessos a blogs no trabalho são raros. Mas em raros momentos como esse agora, eu tenho o maior prazer de acompanhar sua aula, por aqui também. Posso falar sobre o Lambe-Lambe na próxima aula. Já pesquisei, e achei bastante interessante a origem do termo, além de também lembrar de muitas coisas faladas no curso, como ferrotipia e revelação da fotografia. É isso professor Fernando. Obrigado por tudo! :)